Mercado: confronto EUA e Rússia altera equilíbrio no trigo

Os Estados Unidos anunciaram esta semana a redução a um mínimo histórico sua previsão para o plantio de trigo em 2018. O USDA estimou a área de trigo em 18,2 milhões de hectares, de acordo com informe preliminar de longo prazo publicado esta semana. “Trata-se da menor área plantada desde 1919. Além de representar uma queda anual de quase 404.700 hectares, refletiu uma alteração na tendência de alta de área que o USDA estimou em fevereiro”, aponta a Consultoria Trigo & Farinhas.

De acordo com a T&F, no que concerne às exportações americanas de trigo, no acumulado de 2017/2018, atingiram 12,34 milhões toneladas, contra 13,1 milhões/t do ano anterior. Os embarques são 5,8% inferiores ao mesmo período do ano passado. O USDA prevê que em 2017/2018 as exportações de trigo dos EUA cairão 5,2%.

Por outro lado, afirma o analista Luiz Fernando Pacheco, a produção de trigo da Rússia em 2018 será a segunda maior da história. A consultoria russa SovEcon prognosticou que a produção de trigo desse país em 2018 deverá ser de 76,7 milhões de toneladas, segunda maior colheita do país depois do recorde deste ano, com 83,9 milhões de toneladas.

Do lado comercial, na temporada 2017/2018 até 15 de novembro a Rússia tinha exportado 14,77 milhões de toneladas de trigo, 26,3% a mais do que o ano passado, segundo informou o Ministério de Agricultura daquele país. Segundo o Serviço Federal de Aduanas da Rússia, um total de aproximadamente 19,12 milhões de toneladas de grãos foram antes de 15 de novembro de 2017 (um aumento anual de 29,5%), incluídos os 14,77 milhões de trigo, 2,78 milhões de toneladas de cevada e mais de 1,44 milhões de milho.

De acordo com Pacheco, o Ministério de Agricultura da Rússia espera que as exportações de grãos desta temporada totalizem 45 milhões de toneladas, incluindo 30 milhões de toneladas de trigo. Com a Rússia como o maior exportador mundial de trigo o equilíbrio mundial de oferta e demanda.

 “Favorecida pela proximidade geográfica de alguns dos maiores importadores mundiais, como os países do Norte da África, Oriente Médio e Sudoeste da África e com um trigo que, não tendo a melhor qualidade do mundo, mas que está perfeitamente adequado às necessidades dos seus clientes, a Rússia é quem determina os níveis de preço do mercado físico – e, por consequência, dos mercados futuros – ao redor do Mundo, atualmente e não mais o físico e os futuros americanos”, conclui.  (Agrolink)

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