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Cafezais do Paraná escapam das primeiras geadas; milho e trigo também

O frio que atingiu o Paraná no final de semana, com formação de geadas em algumas áreas, não deve ter trazido problemas para as safras de café, milho e trigo do Estado sulista, disseram especialistas do governo local nesta segunda-feira.

O Paraná é o maior produtor brasileiro de trigo, o segundo em milho e o quarto em café arábica, com participação menos relevante neste último produto do que já teve na década de 60, quando liderava a produção.

“A informação que temos é de que felizmente, se houve (impacto da geada), foi pontual”, disse o especialista em café Paulo Sérgio Franzini, do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Estado.

O contratos futuros do café na bolsa de Nova York chegaram a ter sustentação das preocupações com o frio na semana passada.

“Foram geadas em baixadas, e ainda tivemos período de neblina, isso contribuiu para que não houvesse uma formação mais intensa”, acrescentou Franzini.

Uma geada mais forte teria efeito para próxima safra de café do Estado, uma vez que a atual está em estágio de colheita, com grãos já maturados.

“Informação preliminar é não houve prejuízo à cafeicultura. Algumas pontas de folhas novas sapecadas, mas é algo muito pontual.”

A safra de café do Paraná está estimada entre 1,2 milhão e 1,330 milhão de sacas de 60 kg, uma alta de cerca de 20 por cento ante a temporada anterior, com o Estado tendo visto o ciclo invertido após uma geada rigorosa em 2013.

Neste ano, de maneira geral, o ciclo é de baixa na maior parte da área de produção de arábica do Brasil, diferentemente do Paraná.

Se o frio não causa problemas, o excesso de umidade é uma preocupação para a qualidade do café. As lavouras têm registrado chuvas quase todas as semanas.

“Tivemos muitos produtores apontando que houve queda de frutos no chão”, disse Franzini, observando que cerca de 10 por cento da produção já foi colhida.

Segundo o especialista, alguns produtores que tinham a intenção de fazer um café “cereja descascado” terão que rever os planos, pois não está sendo possível entrar nas lavouras para colher no momento ideal, e o grão já está mais para “passa” em várias áreas.

“Aí ficaria mais o café natural, talvez o índice de cereja descascado fique comprometido pelo clima muito úmido”, acrescentou, lembrando que o Paraná tem conseguido produzir cafés especiais.

Milho e trigo

No caso do trigo, o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho afirmou que há poucas lavouras em fases suscetíveis a perdas pelo frio. “De momento, não teria problema a geada, mesmo que nas próximas duas semanas venha (geada), não causaria perdas.”

Com relação ao milho, a preocupação maior é na região oeste do Estado. A área de Cascavel teve temperatura de 2 graus e tem áreas suscetíveis a perdas.

“Se ocorreram geadas em alguns pontos de lavouras no oeste, foram de intensidade fraca”, minimizou o agrônomo do Deral Edmar Gervásio.

O Estado caminha para uma produção recorde de milho na segunda safra, estimada em 13,8 milhões de toneladas, aumento de 36 por cento ante a temporada passada. Já a safra de trigo está projetada para cair 11 por cento, para 3,1 milhões de toneladas, com uma redução proporcional na área plantada. (Reuters)

Paraná intensifica mobilização para conservação de solos

A Secretaria estadual da Agricultura e Abastecimento intensifica a mobilização para o produtor rural paranaense voltar a conservar o solo e a água de sua propriedade. Na mobilização desta semana, que envolveu cerca de 1,5 mil produtores nos municípios de Guarapuava, Pato Branco, Cascavel e Umuarama, o secretário Norberto Ortigara alertou sobre a multa que pode ser aplicada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), caso o produtor não faça sua adesão ao programa Prosolo (Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná) até o dia 29 de agosto.
O programa foi criado para recuperar áreas com erosão, um problema que voltou a aparecer com força nas propriedades nos últimos anos. Se o produtor não aderir neste prazo estará sujeito a ser multado em valores que podem variar de 5 a 17 UPFs (Unidade Padrão Fiscal) dependendo dos danos causados, do tamanho da propriedade e da gravidade da situação. A UPF está valendo R$ 99,00 a unidade.
Para conscientizar o produtor rural sobre a importância dessa adesão, Norberto Ortigara e os dirigentes das principais entidades da agropecuária paranaense estão percorrendo o Estado numa maratona que está reunindo muitos produtores e lideranças locais.
O Prosolos envolve a parceria de 22 entidades do setor público e da iniciativa privada, numa estrutura que está sendo colocada à disposição do produtor para que ele tenha assistência técnica qualificada e orientação de como adotar as práticas conservacionistas e quais são as mais indicadas para a região onde está localizada sua propriedade.
O programa já foi apresentado em Maringá e Carambeí. Na próxima semana será apresentado em Apucarana. Na apresentação, o consultor em solos, engenheiro agrônomo Marcos Vieira, destaca os benefícios econômicos e de sustentabilidade do meio ambiente, decorrentes de técnicas de conservação de solos e água adotadas nas propriedades. Ele destaca que o maior patrimônio do agricultor não é a colheitadeira ou o trator potente, mas sim o solo que ele dispõe em sua propriedade.
Na palestra, Vieira aborda os resultados positivos da conservação de solos para produtores e consumidores, que passam a ter acesso a alimentos de boa qualidade e, assim, atendem as exigências de questões ambientais nos negócios. “Uma série de questões sociais que estão na pauta de compradores e consumidores internacionais também passam a ser atendidas, o que é uma responsabilidade de todos nós”, diz o palestrante.
Vieira recorreu ao exemplo de Guarapuava, precisamente nas áreas ocupadas pelos produtores da cooperativa Agrária, onde a maioria é de descendência Suábia, na Alemanha, que exibe as maiores produtividades de milho, em torno de 13.600 quilos por hectare nesta safra. Esse rendimento é superior à média da produtividade obtida nos Estados Unidos. “Guarapuva é exemplo para os produtores que transformaram uma área de solo pobre num dos mais produtivos do País. Isso mostra que tecnologia e a vontade de cuidar traz resultados positivos”, disse.
O consultor falou das ferramentas de tecnologia, planejamento e gestão que ajudam o produtor a equilibrar o solo e a água. Ele salienta ainda que para ter água ideal, precisa ter solo ideal. “Muita ou pouca água no solo é prejuízo. É preciso planejar e adotar sistemas para que a água fique retida no solo e nisso um profissional de agronomia tem muito a ajudar”, recomendou.
O programa prevê a adoção de técnicas conservacionistas que podem ser o terraceamento, curva em nível, cobertura do solo, plantio direto, rotação de culturas, que serão recomendadas de acordo com o tipo de propriedade e a região em que ela se encontra.

LEGISLAÇÃO E PRAZO

Ortigara destaca que o objetivo não é multar, e sim conscientizar o produtor. “Mas se for preciso, lá na frente vamos aplicar a lei de uso do solo, que é de 1984 e é muito dura. Ela prevê essa punição caso o agricultor não tome providências para evitar os estragos em sua propriedade e dos vizinhos”, alertou.“Poderíamos aplicar a lei, mas preferimos encarar o problema”.
O produtor que fizer a adesão no prazo fixado ganha um ano para apresentar o projeto técnico de recuperação de sua propriedade. Depois disso, ganha mais três anos para execução do projeto. A adesão precisa ser formalizada num escritório da Emater.
Caso não faça a adesão e houver denúncia na Adapar, por parte de vizinhos prejudicados, o produtor tem apenas 30 dias para solucionar o problema, se for simples. Se for um pouco mais complexo, ele terá até 60 dias. (AEN)

Chuvas em excesso deverão acentuar o aparecimento de doenças

As chuvas no sul do país não estão dando trégua nas últimas duas semanas e a previsão é de que mais dias assim estejam por vir. De acordo com prognósticos, o mês será de precipitações constantes e com volumes muito acima da média. A combinação entre dias chuvosos e frios pode acentuar o aparecimento de doenças e afetar a produtividade, principalmente nas áreas de milho safrinha no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Os volumes previstos são muito elevados, em algumas localidades os totais devem chegar aos 300 mm, o que é muito alto para esta época do ano, quando as médias variam de aproximadamente 50 mm no oeste e norte do PR a 120 mm na maior parte do Rio Grande do Sul.

Sendo assim, ainda serão observados alagamentos em algumas localidades do sul do Brasil. Há ainda previsão de massas de ar muito frias chegando ao sul do Brasil, com formação de geadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e também no centro-sul do Paraná. (Agrolink)