Silos públicos do Porto de Paranaguá voltam a receber cargas

Depois de reformas e um ostensivo controle de pragas, os silos públicos horizontais do Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá voltam a receber carga. Localizados no cais, em frente aos berços 212 e 213, os armazéns são destinados ao farelo de soja. A expectativa dos operadores é movimentar 120 mil toneladas do produto pela estrutura pública, nestes três primeiros meses do ano.
 
Como explica a Divisão de Silos da Diretoria de Operações da Portos do Paraná, as estruturas receberam obras mecânicas, elétricas e civil. “Após a execução dos trabalhos nos armazéns, o que se tem são melhores condições de higiene e armazenagem, que mantêm a qualidade dos produtos. Além disso, garantimos um ambiente melhor para os trabalhadores”, afirma Luis Douglas Henrique, da Divisão de Silos.
 
São quatro armazéns, com capacidade de 15.000 toneladas cada, totalizando 60.000 toneladas de capacidade estática. Atualmente, essas estruturas públicas do complexo são usadas pelas empresas Céu Azul, Grano, Gransol, Marcon, Sulmare, Tibagi e Transgolf, na movimentação do farelo de soja.
 
Já estão liberados para recebe o farelo, os armazéns 13F e 13A. A previsão é que os outros dois estejam prontos até o dia 10 de fevereiro.
 Durante todo o ano de 2019, pelos silos públicos, passaram cerca de 750.000 toneladas de farelo de soja. Só nos primeiros três meses, foram 192.445 toneladas.
 
CAMINHO – Para descarregar nos silos públicos, assim como nos demais terminais do Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá, os caminhões com o produto devem ser cadastrados na origem (pelo sistema carga-online). Quando chega no pátio de triagem, o recebimento e a qualidade do produto são verificados pela Codapar.
 
Após tudo está conferido e de acordo, o caminhão se dirige para as moegas do Silo Público, onde vai descarregar. O produto segue por correias transportadoras até os armazéns do cais, percorrendo aproximadamente 350 metros.
 
Cada caminhão tem capacidade para carregar até 36 toneladas do produto. Os vagões, 55 toneladas. O tempo de descarga do caminhão é de até 22 minutos. Já os vagões levam 16 minutos para serem descarregados. Nas moegas públicas, é possível descarregar simultaneamente até seis caminhões e dois vagões.
 
OPERADORES – Além dos operadores dos silos públicos, outras empresas movimentam o farelo de soja pelo Porto de Paranaguá. Essas têm terminais próprios, integrados ao Corredor. São a Cargill, Centro sul, Coamo, Cotriguaçu e Louis Dreyfus. Fora do corredor, no Porto de Paranaguá, o farelo de soja também é movimentado pela Bunge.
 
O caminhão ou vagão que descarrega o produto nos terminais privados seguem o mesmo caminho e os mesmos protocolos que os recebidos pelo terminal público. A expectativa dos demais operadores, juntos, é movimentar 1.165.000 toneladas de farelo de soja neste primeiro trimestre – 16,5% a mais que o volume movimentado do produto, no período, no ano passado. No primeiro trimestre, em 2019, foram exportadas cerca de um milhão de toneladas de farelo de soja por essas empresas.
 
GRANÉIS – Somando o farelo de soja aos demais granéis sólidos de exportação – Soja em grãos, milho, farelo de milho (DDGS) e açúcar – a expectativa dos operadores – é movimentar um total de cerca de 5,5 milhões de toneladas de janeiro a março, este ano. O volume seria 20% maior o movimentado nos primeiros três meses, em 2019 (4,6 milhões de toneladas).
 
Farelo também é exportado pelo Porto de Antonina

No Porto de Antonina, o farelo de soja é exportado pela Terminais Portuários da Ponta do Félix (TPPF). Segundo a operadora, por lá o produto começa a ser embarcado a partir de março, acompanhando a produção da indústria. De acordo com a projeção da empresa, neste primeiro trimestre devem ser exportadas cerca de 40 mil toneladas do produto, volume próximo do movimentado no período, em 2019.
 
Durante todo o último ano, foram embarcadas 300.073 toneladas de farelo de soja por Antonina. O volume é 18% a mais que o movimentado em 2018 (253.788 toneladas). No primeiro trimestre, 47.284 toneladas foram movimentadas no mês de março; em janeiro e fevereiro não teve exportação do produto. O produto exportado por Antonina é paranaense e tem como principais destinos Holanda, Argentina e França. O produto é operado por Antonina desde dezembro de 2015.

 
(Agência Estadual de Notícias)

Mercado do milho perdeu força, mas fechou outubro em alta

Depois da forte valorização nas primeiras semanas de outubro, os preços do milho recuaram no mercado brasileiro no final do mês que se encerrou. Os principais fatores foram a queda do dólar frente à moeda brasileira e o menor volume exportado pelo Brasil, na comparação mensal.

As chuvas mais regulares e o avanço da semeadura da safra de verão 2019/2020 também colaboraram com este cenário mais frouxo de preços do cereal no mercado interno.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP a saca de 60 quilos fechou cotada em R$42,50, frente a negócios em até R$44,00 por saca na primeira quinzena de outubro.

Para o curto prazo, o câmbio mais fraco e o ritmo mais lento das negociações no final de ano deverão manter o mercado mais calmo e recuos nos preços não estão descartados.

Na B3, os contratos futuros de milho apontam para um cenário de cotações andando de lado, mais frouxas, até o começo de 2020 e um cenário mais firme no primeiro trimestre do ano que vem.

Para o médio e longo prazos (primeiro semestre de 2020), os estoques menores, a previsão de demanda firme e de um clima menos favorável em relação ao mesmo período na temporada 2018/2019 são fatores de sustentação para as cotações do cereal, em reais.

(Fonte: Scot Consultoria/Agrolink)

Colheita de soja no Brasil vai a 92% da área; chuva atrapalha no RS

A colheita de soja da safra 2018/19 no Brasil avançou para 92 por cento da área até a última quinta-feira (18), alta de 4 pontos percentuais em uma semana, mas com chuvas no Rio Grande do Sul atrapalhando os trabalhos, informou a AgRural nesta segunda-feira.
 
As atividades de campo estão concentradas basicamente no Estado gaúcho e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), regiões que tradicionalmente cultivam soja de ciclo mais tardio. “No Rio Grande do Sul, as chuvas registradas nesta semana deixaram o ritmo um pouco mais lento, mas as produtividades seguem agradando. No Matopiba, o tempo mais firme desta semana favoreceu o avanço das colheitadeiras”, comentou a consultoria em boletim semanal.
 
“Nesta reta final, a preocupação dos produtores da região (Matopiba) é com áreas que receberam muita chuva no início de abril, quando estavam entrando em maturação. O receio é de que, agora, na colheita dessas áreas, surjam problemas de qualidade causados por aquelas precipitações.”
 
Segundo a AgRural, a colheita nacional está ligeiramente acima dos 91 por cento de um ano atrás e também da média de cinco anos. A consultoria projeta produção total na temporada vigente de 114,6 milhões de toneladas. O Brasil é o maior exportador global da commodity.

Movimentação de cargas no Porto de Paranaguá cresce 20%

De acordo com o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Fernando Garcia, Paranaguá segue como o maior porto graneleiro da América Latina. A nova gestão pretende ampliar ainda mais os investimentos voltados para o agronegócio. “Ainda neste ano serão concluídas as obras do corredor oeste de exportação. O berço 201 terá a capacidade de embarque ampliada de 2 milhões para 6,5 milhões de toneladas”, destaca.
 
De acordo com Garcia, também existe um projeto de ampliação do corredor leste, com a construção de quatro novos berços em um novo píer. “Com isso, teremos capacidade de fazer o carregamento simultâneo de quatro navios graneleiros. Além disso, estão previstas melhorias na armazenagem e nas vias de acesso, tecnologia e sistemas de controle e recebimento de cargas”, adianta o diretor-presidente da Appa.
 
Atualmente, os embarques de grãos acontecem em um complexo que tem nove terminais interligados e três berços de navios, e carregamento simultâneo.
 
Importação
Em janeiro de 2019, o volume de importações no Porto de Paranaguá somou 1,85 milhão de toneladas – 14% maior que o registrado no primeiro mês do ano anterior. Entre os produtos que apresentaram maior aumento estão o Malte e a Cevada, que juntos movimentaram 80.102 mil toneladas, 160% mais que em 2018. O trigo, que não registrou movimentação em janeiro do último ano, voltou a desembarcar no último mês. Foram 64.433 toneladas importadas.
Os fertilizantes continuam sendo o principal produto importado via Portos do Paraná. Em Paranaguá, foram 977.073 toneladas descarregadas, com alta de 20% na comparação com o mesmo mês de 2018. No Porto de Antonina, a movimentação somou 110.427 toneladas da carga.
 
Contêineres
A movimentação de cargas conteinerizadas também foi maior no fechamento do mês de janeiro. O crescimento é de 9%. Em unidade própria de medida (TEUs, unidade equivalente a 20 Pés), são 62.617 contêineres movimentados em janeiro deste ano: 29.581 sentido exportação, 33.036 de importação.
 
Entre as cargas mais exportadas por contêiner estão madeira, carne de aves congelada, papel e derivados, farelo, soja e açúcar. Na importação, se destacam fertilizantes, reatores, caldeiras e maquinários e plásticos.
 
(Avicultura Industrial)

Valor da Produção Agropecuária fecha 2018 em R$ 569,8 bi

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) encerra o ano de 2018 em R$ 569,8 bilhões, menor do que o valor recorde obtido em 2017, de R$ 582,3 bilhões. Os valores da produção de algodão e de soja foram os maiores registrados na série iniciada em 1989. Esses resultados trouxeram importantes benefícios, especialmente àqueles estados onde predominam as lavouras desses produtos, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia.

Os produtos que deram maior sustentação ao VBP foram algodão, café e soja, embora cana-de-açúcar e milho também são destacados por expressiva participação no valor gerado.

O ano não foi favorável para a pecuária, que teve redução de valor em suas principais atividades, como carne bovina, frango, carne suína, leite e ovos. Preços internacionais e retração do consumo interno estão associados a esse desempenho, analisa José Garcia Gasques, coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Um balanço dos resultados dos estados mostra que nove tiveram aumento real do valor da produção. São eles Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo e os estados Centro-Oeste (exceto o DF).As quedas de valor foram observadas em estados do Nordeste, em toda a região Sul, parte do Sudeste e alguns estados do Norte.

VBP 2019

As perspectivas para 2019 mostram aumento do faturamento devido, principalmente, à melhoria da pecuária, que mostra crescimento em quase todas suas atividades. As primeiras estimativas mostram crescimento de 2,1% do VBP em relação ao último ano, o que representa faturamento de R$ 581,6 bilhões. (Mapa)

Com clima propício, Paraná inicia colheita do trigo

A colheita do trigo já iniciou na região Norte do estado do Paraná nesse ano de 2018. Segundo informações divulgadas pelo analista Luiz Fernando Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, as condições de clima e da planta estão satisfatórias e propícias para que os produtores deem início ao processo de colheita.
 
“Em Campo Mourão, no centro-norte do estado, a manhã nasceu ensolarada, com temperaturas amenas, oscilando entre 10ºC e 25ºC, sem previsão de ocorrências de chuvas para o decorrer do dia, segundo o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). O trigo apresenta algumas lavouras já em estágio de maturação”, informa.
 
No entanto, o analista relata que no início da safra do cereal o rendimento das primeiras lavouras tem sido registrado em médias menores do que as estipuladas anteriormente pela equipe da T&F. Nesse cenário, existem lugares que sofreram com a ocorrência de chuvas nos dias que antecederam a prática, além da estiagem no período de desenvolvimento da cultura.
 
“Com o início pontual da colheita, o rendimento dessas primeiras áreas vem ocorrendo abaixo da produtividade inicial estimada. Em Cornélio Procópio, no norte no estado, ocorrência de precipitações na sexta-feira para sábado passado, com bom volume em todos os municípios, variando de 20 a 77 mm”, afirma.
 
No entanto, por mais que a chuva possa estar atrapalhando a produção em alguns aspectos, ela pode ser benéfica para outros cultivos, como a manutenção de pastagens. “Em Guarapuava, no centro do estado, a semana passada com ocorrência de chuvas em toda região, variando de 20 a 40 mm, vindo a beneficiar o desenvolvimento das lavouras de inverno e recuperação das pastagens”, finaliza. (Agrolink)

Safra deve alcançar 300 milhões de ton em dez anos

Nos próximos dez anos o Brasil vai produzir 69 milhões de toneladas a mais de grãos, saltando de 232 milhões de toneladas para de 302 milhões t em 2027/2028, puxadas principalmente pela soja (156 milhões t) e o milho (113 milhões t), com incremento estimado em 30%. As carnes (bovina, suína e de frango) devem passar de 27 milhões t para 34 milhões t, em alta de 27% (+7 milhões t) no mesmo período. A produtividade é apontada como responsável pelo aumento da produção de grãos, o que pode ser constatado pelo aumento da projeção da área de plantio, no mesmo período, de apenas 14,5%. A pecuária que também vem introduzindo novas tecnologias contribuído para o desempenho e melhoria da produção.

Os números são do estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2017/18 a 2027/28 da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (SIRE/Embrapa). A pesquisa utilizou dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Embrapa, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), FAPRI (Food and Agricultural Policy Research Institute) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture/USDA, sigla em inglês).

Expansão de Área

A expansão da área plantada de todas as lavouras (algodão, arroz, banana, batata inglesa, cacau, café, cana de açúcar, feijão, fumo, laranja, maçã, mamão, mandioca, manga, melão, milho, soja grão, trigo, uva) no Brasil sairá de 75 milhões hectares, em 2018, para 85 milhões de hectares nos próximos 10 anos. O crescimento global será de 13,3%, o equivalente a 10 milhões de hectares em regiões de pastagens naturais ou por reaproveitamento degradadas, conforme o estudo.

Uma parte do crescimento da área plantada deve ocorrer em áreas de fronteira localizadas especialmente no Centro Oeste, Norte e Nordeste. As maiores expansões devem ocorrer no plantio de soja, cana de açúcar e milho. Lavouras, como arroz, feijão, mandioca e laranja, devem ter redução de área plantada. Ganhos de produtividade deverão compensar as reduções, de modo que não haverá recuo de produção. O café deve apresentar certa estabilização da área e os ganhos de produtividade obtidos nos últimos anos permitem obter produção crescente, mesmo com tendência de redução de área.

O cultivo de grãos (algodão, amendoim, arroz, aveia, canola, centeio, cevada, feijão, girassol, mamona, milho, soja, sorgo, trigo e triticale) terá variação de área de 14,9%, de 62 milhões ha para 71 milhões ha, em 2027/28, aumento de 9 milhões ha. Esse grupo de produtos deverá ter a produtividade como o principal driver (motor/impulsionador) de crescimento, pois a produção deve aumentar cerca de 30% em 10 anos.

Tendência de produção de carnes

O estudo projeta uma produção de carnes de 34 milhões de toneladas em 2027/28. Isso representa acréscimo de 7 milhões de toneladas sobre 2018. O maior crescimento deve ocorrer nas carnes suína e de frango, seguidas por carne bovina. A carne de frango deve ter aumento de 4 milhões t, totalizando 17 milhões t em 2028. Em seguida, vem o incremento de 2 milhões t para a carne bovina, somando 12 milhões t. A produção de carne suína ficará em quase 5 milhões t (+1 milhão t), na próxima década.

Regiões produtoras

Conforme a pesquisa, o Centro Oeste dispara no ranking das regiões de maior aumento na produção de grãos, saindo de 103 milhões t para 139 milhões t (+ 36 milhões t ou 34,8%). É prevista também expansão da produção de grãos em direção ao Norte do país, com crescimento de 34% em relação a 2018. Destacam-se nessa expansão os estados de Rondônia, Tocantins e Pará. Os estados do Sul terão incremento de 24,8% (+19 milhões t), alcançando 94 milhões t de grãos.
Quanto à área plantada de grãos, os estados do Centro Oeste terão incremento de 28,2%; do Norte, 23% e do Sul, 7,5%.

Projeção de exportações

As projeções de exportação apontam que o país embarcará, em 2028, 139 milhões t de grãos, com acréscimo de 37 milhões t em relação a 2018. A soja e o milho continuam como destaques, na projeção das exportações nos próximos dez anos, à frente de produtos como o açúcar e o café. As vendas externas de soja em grão ficarão em 96,5 milhões t e as de milho em 42,8 milhões t. Cerca de 70 % das exportações de soja devem seguir para a China. O comércio externo de açúcar alcançará 37,2 milhões t e, de café, 34 milhões de sacas (60 kg).

As exportações de carnes alcançarão 8,8 milhões t na previsão para 2027/2028 (+ 2,3 milhões t). As exportações de carne de frango puxarão o total de carnes nos próximos dez anos, com 5,2 milhões t exportadas. A carne bovina ficará em 2,8 milhões t exportadas, e a carne suína, 900 mil toneladas. Países da África Subsaariana (47 países, como por exemplo, África do Sul, Angola, Costa do Marfim, Etiópia, Nigéria) e Oriente médio (15 países, como Arábia Saudita, Irã, Afeganistão, Catar, Emirados Árabes Unidos) e México, devem adquirir cerca de 39% da carne de frango exportada pelo Brasil.
China, Estados Unidos, África e Oriente Médio devem absorver 44 % das exportações de carne bovina. México, China e Japão devem importar 57% da carne suína brasileira.

O trabalho mostra também que, além do potencial de produção e de exportação de grãos, carnes e outros produtos, as frutas, em especial manga, melão, mamão e uva, projetam elevadas taxas de crescimento das exportações nos próximos anos.
Dados preliminares do trabalho, agora concluído, haviam sido anunciados pelo ministro Blairo Maggi no evento internacional Global Agribusiness Fórum 2018 (GAF), no fim de julho, em São Paulo.

(Fonte: Mapa)

Guerra comercial: Brasil deve assumir ponta na soja

O Brasil pode substituir os norte-americanos como maior produtor de soja do mundo
 
Analistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram que tanto a China quanto os EUA poderão ter prejuízos relacionados à soja com a disputa comercial travada entre os dois países. De acordo com informações do portal Agriculture, a situação causará uma inversão entre os maiores exportadores da oleaginosa, com o Brasil podendo substituir os norte-americanos como maior produtor de soja do mundo.
 
Segundo o portal, as importações chinesas de soja devem cair 8% durante o ano comercial de 2018/2019, apesar dos grandes embarques comprados do Brasil. Além disso, os consumidores chineses provavelmente terão uma oferta menor de óleo de soja. “A tarifa que a China impôs recentemente à soja dos EUA deve causar preços mais altos para a soja na China”, disse o USDA.
 
Para os EUA, o USDA reduziu a previsão de exportações de soja em 2018/2019 para 2,04 bilhões de bushels, uma queda de 11%, em relação à projeção estipulada no mês de maio. Segundo o Agriculture, o estoque de soja aumentaria para 580 milhões de bushels até o momento da colheita da safra de 2019, o que se configuraria como o maior “carryover” dos EUA em 74 anos de registros do USDA.
“Apesar de perder participação de mercado na China, as exportações de soja são apoiadas em outros mercados, já que os preços mais baixos dos EUA aumentam a demanda e a participação de mercado”, informou o relatório.
 
Com os preços futuros da soja caindo em 20% no mercado de Chicago desde o final de maio, o presidente Donald Trump prometeu proteger os agricultores da retaliação chinesa. Porém, até o momento, o presidente norte-americano se recusou a explicar a ajuda qual auxilio poderá oferecer.
 
(Fonte: Agrolink)
 

Brasil não tem onde armazenar safra recorde de grãos

Segundo estimativa de maio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de grãos de 2018 superará, novamente, suas projeções iniciais. Até o momento, o resultado deve ser o segundo maior da história, com previsão de mais de 232 milhões de toneladas, ganho de 1,3% em relação ao relatório do mês anterior. Além disso, a estimativa para a área plantada, que antes era de 61,5 milhões de hectares, cresceu 1,1% em relação ao ano passado. Ainda de acordo com as perspectivas, os maiores volumes serão de soja e de milho, seguidos pelo feijão, que correspondem a mais de 200 milhões de toneladas.

No entanto, ao mesmo tempo em que os produtores comemoram a colheita, também se preocupam com a armazenagem adequada dos grãos produzidos. O principal gargalo da cadeia produtiva nacional de grãos ainda está no setor de armazenagem: no país, o déficit de armazenagem já bate a casa de 80 milhões de toneladas, o que aponta que o Brasil não tem onde guardar mais de um terço de sua produção agrícola. Hoje, essa defasagem representa para o país a perda de mais de 2 bilhões de reais por ano no mercado de grãos.

Neste contexto, um levantamento feito pela Kepler Weber, líder em projetos completos para armazenagem e beneficiamento de grãos, mostra que a região Sul é a segunda no ranking da defasagem: mais de 20 milhões de toneladas de déficit de armazenagem.

Ainda de acordo com o levantamento, alguns fatores colaboram para esse cenário brasileiro:
A baixa capacidade de armazenagem nas propriedades rurais força o produtor a comercializar e escoar suas safras na época de preços mais baixos e de fretes mais caros;

No Brasil, as fazendas possuem apenas 16% da capacidade de armazenagem, o que sobrecarrega o transporte e a armazenagem intermediária em épocas de colheita, além de elevar a demanda de estocagem nos portos.
O resultado disso é que na época das colheitas dos grãos, os preços pagos aos produtores sofrem um achatamento acentuado, decorrente da alta dos valores dos fretes, das filas de caminhões nas rodovias e da demora prolongada para embarques nos portos.

Além disso, armazenar a safra em terceiros tem custos, que variam entre 9% e 12% do valor do total estocado.
“Nosso país é uma das maiores potências agrícolas do mundo e nossos grãos estão nas mesas de diversos países. Não podemos desperdiçar o trabalho do produtor, mas não há dúvidas: o problema do Brasil em relação às perdas de grãos ainda é recorrente porque os investimentos em logística no setor não são realizados de forma correta. E investir em logística significa abranger toda a cadeia produtiva em diferentes situações: varejo, atacado, armazenagem e atividades portuárias e ferroviárias”, afirma Anastácio Fernandes Filho, diretor presidente da Kepler Weber.

Contrário a esse cenário, os mecanismos de armazenagem inteligente da Kepler permitem que a produção seja estocada de forma adequada. Assim, a decisão do momento da venda da produção fica totalmente na mão do produtor, pois todos os grãos são armazenados adequadamente de forma a manter sua alta qualidade por mais tempo. O agricultor pode negociar, no momento mais propício, grãos com qualidade superior que resultam em mais lucro.

Com a armazenagem inteligente Kepler Weber também é possível controlar minuciosamente a rota de fluxo de grãos em todas as etapas, por meio de um sistema de supervisão central, que substitui a mão-de-obra manual no processo. Desta forma, o produtor tem não apenas uma ferramenta automatizada, mas uma cadeia integrada de armazenagem, com sistemas individuais e autossuficientes que acompanham as necessidades específicas de cada grão.

(Agrolink)

Influência dos consumidores cresce e modifica a produção

Estudo de pesquisadores da Embrapa traça o futuro da agricultura até 2030
 
Apesar de o Brasil ainda ser um país de baixa escolaridade (51% concluiu apenas o ensino fundamental e há elevado índice de analfabetismo funcional), o ativismo dos consumidores deve crescer nas próximas décadas em razão de seu maior acesso a informações por meio das mídias sociais: 61% dos produtores já usam smartphones e o whatsapp já é o principal meio de comunicação na zona rural, utilizado por 96% dos produtores com acesso à internet. A avaliação faz parte do estudo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Visão 2030 o Futuro da Agricultura Brasileira, que trata também dos riscos, desafios e temas como a sustentabilidade.
 
Em mercados com diferenças acentuadas entre as classes sociais como o brasileiro, o protagonismo dos consumidores tende a ser liderado pelas classes com maior poder de compra. Ainda assim, análises mostram que consumidores brasileiros de classe média baixa também valorizam características dos alimentos que vão além do preço, tais como sabor e qualidade nutricional, diz o estudo.
 
Pesquisadores destacam que o avanço das tecnologias da informação e de comunicação, a proliferação das mídias sociais e de plataformas digitais, está modificando as relações entre produtores de alimentos e consumidores. Maior acesso a computadores e celulares, internet de baixo custo e Wi-Fi estão propiciando acesso à informação e compartilhamento de experiências e avaliações de produtos e marcas, o que amplia o poder na tomada de decisão de compra.
 
E essa transformação nas relações entre produtores e consumidores não só influi na qualidade e intensidade da produção e dá origem a novos negócios e oportunidades, como também cria desafios para empresas e governos. O poder dos consumidores de influenciar as decisões da cadeia produtiva agroalimentar deriva de mudanças nos seus hábitos de consumo, que são resultantes de complexos movimentos econômicos, sociais, culturais e políticos.
 
Fatores como crescimento da população, nível de urbanização, taxa de escolaridade e educação em geral, nível de informação, estrutura etária, sobretudo grau de envelhecimento e familiar das comunidades e níveis de renda são determinantes para mudanças nos padrões de consumo.
 
Mar de riscos
 
Um dado revelado pelo trabalho dos pesquisadores relata levantamento feito em 48 países em desenvolvimento, que indica que 25% dos danos provocados por desastres naturais entre 2003 e 2013 recaíram sobre a agropecuária, causando prejuízos de US$ 70 bilhões. Estima-se que 44% dessas perdas foram causadas por secas e 39% por enchentes.
 
No Brasil, análises evidenciam perda anual próxima de R$ 11 bilhões (1% do PIB agrícola) devido a eventos extremos.
 
Atualmente, 75% dos alimentos do mundo são gerados a partir de 12 espécies de plantas e cinco espécies de animais. Isto torna o sistema alimentar global altamente suscetível aos riscos inerentes à atividade agrícola, como pragas e doenças em animais e plantas, problema agravado pelos efeitos da mudança do clima.
 
Fazendas Inteligentes
 
Produtores agrícolas poderão participar da convergência possível pela integração de geotecnologias, agricultura de precisão, da evolução exponencial da inteligência artificial e de outros recursos computacionais para promover a transformação digital das fazendas, viabilizando o chamado smart farming e as smart farms.
 
A produção agrícola já experimenta maior acesso à energia elétrica, com o uso crescente de painéis solares, o que permite vislumbrar a superação dos problemas de comunicação com maior uso de computadores e a integração dos fazendeiros na rede 4G, sua atualização para o padrão 5G e finalmente seu acesso à Internet das coisas (Iot). No Brasil, os produtores serão ainda beneficiados com o lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas e a consequente ampliação do Programa Nacional de Banda Larga.
 
O trabalho discorre ainda sobre convergências tecnológicas, agregação de valor nas cadeias produtivas, mudanças socioeconômicas e espaciais e do clima, além de um histórico sobre a trajetória da agricultura brasileira. Tudo com muitos dados, gráficos e detalhes sobre esses assuntos.